QUEM CUIDA DA EDUCAÇÃO TAMBÉM PRECISA SER CUIDADO

EDUCAÇÃO

Eunice Torres Nascimento

6/30/20262 min read

Em 2022, uma pesquisa da Nova Escola e do Instituto Ame Sua Mente revelou que 21,5% dos educadores brasileiros consideravam sua saúde mental ruim ou muito ruim. No Amazonas, os registros de afastamentos de servidores da educação por transtornos mentais e comportamentais passaram de 2.321, em 2019, para 6.735, em 2025. Um crescimento de 190%.

Os números sobre a saúde mental dos professores não podem ser tratados como estatísticas distantes, pois representam profissionais que chegam ao limite depois de anos enfrentando condições adversas de trabalho. Esses dados mostram que não estamos diante de casos isolados. Existe um problema estrutural dentro da educação.

O professor enfrenta salas cheias, jornadas extensas, excesso de tarefas administrativas, pressão por resultados, violência verbal, conflitos com estudantes e famílias, falta de profissionais de apoio e pouca participação nas decisões da escola. Muitos, também, precisam continuar trabalhando em casa, preparando aulas, corrigindo atividades e preenchendo sistemas.

Quando essas condições se acumulam, o adoecimento não pode ser tratado como falta de equilíbrio ou fragilidade individual. É injusto responsabilizar o professor e dizer que ele precisa cuidar de si quando o próprio ambiente de trabalho continua produzindo sofrimento.

O professor acolhe alunos, orienta famílias, identifica dificuldades de aprendizagem e, muitas vezes, percebe os primeiros sinais de sofrimento emocional dos estudantes. Mas quem acolhe esse professor quando ele também precisa de ajuda?

Cuidar da saúde mental dos profissionais da educação exige mais do que campanhas em datas específicas ou palestras motivacionais. Exige uma política permanente de prevenção, acolhimento e acompanhamento.

A Lei Federal nº 14.681, de 2023, já determina a criação de políticas de bem-estar, saúde e qualidade de vida para os profissionais da educação. A legislação reconhece que devem ser analisadas questões como carga horária, número de jornadas, trabalho realizado em casa, quantidade de alunos por sala e condições do ambiente profissional.

Portanto, o que falta não é somente reconhecer o problema. Precisamos transformar a legislação em ações que funcionem dentro das escolas, tais como: atendimento psicológico e psiquiátrico acessível e sigiloso, acompanhamento dos profissionais afastados, preparação para o retorno ao trabalho, protocolos contra violência e assédio, formação dos gestores e ampliação das equipes multiprofissionais. Além disso é necessário reduzir a burocracia, com profissionais de apoio, respeitando o tempo destinado ao planejamento e melhorando as condições de trabalho. A saúde mental não pode ser separada de salário digno, segurança, carreira, estrutura escolar e valorização profissional.

Não existe educação de qualidade com professores exaustos, amedrontados ou emocionalmente adoecidos. Quando um educador se afasta, toda a comunidade escolar sente as consequências: os alunos perdem continuidade, os colegas ficam sobrecarregados e a escola precisa reorganizar sua rotina.

Vejo a educação como um resgate da cidadania. Ela permite que as pessoas desenvolvam seus talentos, sustentem suas famílias com dignidade e participem do desenvolvimento econômico e social e esse caminho começa pela valorização de quem ensina.

Aos nossos professores, quero dizer com respeito e carinho que vocês não são apenas números em relatórios de afastamento.

Cada história importa e cada pedido de ajuda precisa ser ouvido!

Cuidar de quem educa é cuidar dos nossos alunos, das nossas famílias e do futuro do Amazonas.

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Eunice Torres Nascimento

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