Prefeitura de Manaus amplia o atendimento para autistas e acende a esperança nas famílias por bons serviços gratuitos

DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

Eunice Torres Nascimento

2/19/20262 min read

O início da construção da Fundação Municipal Cidade do Autismo, em dezembro de 2025 pela Prefeitura Municipal de Manaus, encheu de esperança as famílias que perambulam em busca de atendimento especializado, essencial para a melhoria na qualidade de vida das pessoas que têm Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Quando estiver finalizada, a Cidade do Autismo irá oferecer até 15 mil atendimentos multidisciplinares por mês, que irão do diagnóstico aos tratamentos. No prédio de três andares, serão concentradas salas sensoriais, consultórios médicos e espaços para terapias focadas no desenvolvimento físico e cognitivo, onde serão trabalhadas a comunicação, memória, percepção e raciocínio.

Iniciativas como esta representam avanço significativo, pois organizam e centralizam o atendimento. Pais e mães não irão mais se dividir entre dezenas de espaços para conseguir os serviços. Além da economia com os gastos de locomoção e da redução do estresse, há a maior conquista: um lugar público especializado e com acesso livre.

Nesse sentido tenho refletido especialmente sobre a realidade das mães solo. Em muitos casos, são elas que assumem integralmente o cuidado dos filhos com autismo. Interrompem carreiras, reduzem jornadas de trabalho ou abrem mão da independência financeira para estar disponíveis 24 horas por dia para os filhos. A sobrecarga emocional e econômica é gigantesca. É mais do que justo expandir essa atenção especializada também para as mães ou acompanhantes de Pessoas com Deficiência (PCD), pois elas precisam estar bem para auxiliar com presteza e eficiência.

Vale ressaltar, ainda, que essas ações precisam estar articuladas com ações no campo educacional, tais como a formação continuada de professores, a ampliação das salas de estímulo nas escolas e o fortalecimento da rede de saúde mental infantil. O sistema de educação inclusiva adotado no Brasil determina matrícula obrigatória para alunos com TEA nas escolas regulares, públicas ou privadas. No entanto, se não houver o devido preparo para suprir as demandas desse público, as chances de desenvolvimento tornam-se praticamente nulas. Além de tudo, não posso deixar de fora a preocupante a situação dos municípios mais afastados. No interior do estado, as grandes distâncias das sedes dos municípios e a ausência de estrutura especializada criam barreiras quase instransponíveis para a superação das limitações físicas e intelectuais dos autistas.

Por fim, é importante lembrar que a Cidade do Autismo está sendo construída com recursos de emendas parlamentares no valor de R$ 17,4 milhões. Que Deus toque o coração de nossos representantes no Poder Legislativo para que não falte dinheiro para esta obra essencial e que expandam suas emendas para o cuidado com as mães. Afinal, sem elas, nem os autistas, nem a população mundial estaria viva, inclusive os próprios parlamentares, que também são filhos.