O Amazonas precisa de jovens preparados para o mercado de trabalho
EDUCAÇÃO
Eunice Torres Nascimento
4/23/20262 min read


Todos os dias, milhares de jovens acordam com o mesmo desejo, isto é, trabalhar, conquistar sua independência e ajudar suas famílias. No entanto, a falta de qualificação adequada tem sido um obstáculo silencioso e cruel. Dados do IBGE mostram que o desemprego entre jovens de 18 a 24 anos no Brasil ultrapassa 18%, quase o dobro da média geral. Ao mesmo tempo, relatórios do setor produtivo (CNI, CNC, SEBRAE) indicam que cerca de 40% a 70% das empresas e indústrias têm dificuldade em encontrar mão de obra qualificada. O problema, portanto, não é apenas a falta de vagas, é a falta de preparo.
O impacto dessa realidade na vida das pessoas é profundo, pois jovens ficam fora do mercado, dependentes financeiramente e, muitas vezes, inseridos em trabalhos informais. No Amazonas, essa realidade se agrava quando observamos que o Polo Industrial de Manaus, responsável por milhares de empregos, frequentemente mantém vagas abertas por falta de profissionais qualificados em áreas técnicas. Estou falando de oportunidades que existem, mas não são preenchidas. O que se percebe é que hoje enfrentamos uma falha estrutural clara, pois as escolas ainda não estão conectadas com as demandas reais do mercado. Enquanto isso, setores como construção civil e indústria enfrentam escassez de técnicos, eletricistas, mecânicos e operadores. Essa contradição não pode continuar!
Assim sendo, penso que uma estratégia objetiva para mudar esse cenário é essencial. Acredito que o fortalecimento do ensino técnico integrado ao ensino médio é uma mudança de chave na vida dos nossos jovens e, consequentemente, no desenvolvimento socioeconômico brasileiro. Países como a Alemanha, onde mais de 50% dos jovens passam pela formação técnica, apresentam taxas de desemprego juvenil abaixo de 6%. No Brasil, onde menos de 10% dos estudantes do ensino médio estão em cursos técnicos, vemos exatamente o oposto. Isso mostra que investir na formação profissional não é gasto, é solução.
Precisamos de escolas com laboratórios, oficinas, professores preparados e parcerias com o setor produtivo. O jovem precisa sair da escola com uma profissão, não apenas com um certificado. É fundamental alinhar a educação às demandas reais do nosso estado, preparando nossos jovens para trabalhar, crescer e transformar o Amazonas. O resultado prático de políticas públicas que atendam a essa necessidade é a redução do desemprego, o fortalecimento da economia e mais dignidade para a juventude. Educação não pode ser apenas um caminho para o diploma, precisa ser um caminho para a dignidade. E o Amazonas não pode continuar desperdiçando talentos.
É hora de preparar uma nova geração para construir um novo estado.