Natal: por que ainda podemos (e devemos) celebrar além de 25 de dezembro.

ATUALIDADE

Eunice Torres Nascimento

12/29/20253 min read

Quando o mundo secular guarda as luzes e desmonta a árvore já no dia 26 de dezembro, muitos se perguntam se o Natal “acaba” ali. Na visão cristã católica, a resposta é outra: o Natal está apenas começando naquele momento.

UM TEMPO LITÚRGICO MAIS LONGO DO QUE IMAGINAMOS

Na Igreja Católica, o Natal não é celebrado apenas no dia 25 de dezembro. Esse dia marca o início de um período litúrgico especial que dura semanas, e não horas. O tempo do Natal começa com as Missas da Vigília, no dia 24 de dezembro, e se estende por todo o período conhecido como Christmastide que inclui o próprio dia de Natal e as festividades que se seguem.

Os estudiosos do calendário litúrgico explicam que o Natal continua até pelo menos a Festa do Batismo do Senhor, celebrada no domingo após a Epifania (que originalmente ocorria em 6 de janeiro). Nesse ciclo, o fiel é convidado a permanecer em espírito de alegria e reflexão sobre o mistério que a festa celebra.

QUATRO CÍRCULOS DE CELEBRAÇÃO

Alguns liturgistas, como os citados em tradições teológicas católicas, descrevem quatro “círculos” de celebração dentro do tempo do Natal: o próprio Natal (25 de dezembro), sua Oitava (os oito dias seguintes), os Doze Dias de Natal (até 6 de janeiro, quando se comemora a Epifania) e, em tradições mais antigas, até mesmo o período de quarenta dias, que termina em 2 de fevereiro, com a Festa da Apresentação do Senhor, também chamada de Nossa Senhora das Candeias.

Esse prolongamento litúrgico reflete uma intenção profunda da fé: o nascimento de Cristo não é um evento isolado, mas um mistério que precisa ser vivido com significado e não reduzido à rapidez de um dia festivo ou ao ritmo imediato das compras e viagens.

O SENTIDO DO TEMPO DO NATAL

Para o catolicismo, o Natal não é apenas um aniversário religioso. Ele celebra o mistério da Encarnação: Deus tornando-se homem, assumindo uma natureza humana frágil para nos salvar. Isso é central à fé cristã, porque revela que a presença de Deus no mundo não foi algo momentâneo ou simbólico, mas verdadeiramente histórico e profundamente transformador.

O tempo litúrgico do Natal permite que o fiel não apenas lembre, mas vivencie e prolongue essa alegria espiritual. Se o dia 25 de dezembro é o início da festa, os dias que vêm depois são uma extensão dessa memória viva, uma oportunidade para manter o coração em atitude de louvor, reflexão, caridade e encontro com Deus.

POR QUE NÃO DEVEMOS ENCERRAR O NATAL RAPIDAMENTE?

Segundo explicações teológicas, existe um risco real de que a abordagem secular da celebração, centrada em consumo, festas rápidas e datas-chave, reduza o significado espiritual original. Essa visão litúrgica mais prolongada combate essa tendência: o Natal, como tempo, é mais profundo do que uma única data no calendário.

Para essa tradição, manter decorações, presépios, músicas e orações até o fim do tempo natalino é um modo de afirmar que a alegria cristã não se esgota em um evento social, mas se estende na vida cotidiana, até a Festa da Apresentação do Senhor ou, em muitas dioceses, até o Batismo do Senhor.

Conclusão: o Natal é mais do que um dia

Portanto, se você se pergunta se ainda é apropriado desejar “Feliz Natal” depois do dia 25, a resposta litúrgica é afirmativa. Sim, o Natal continua, e essa continuidade tem tanto valor teológico quanto pastoral. Não se trata apenas de prolongar o clima festivo, mas de manter viva a celebração da presença de Deus entre nós, não como um episódio isolado, mas como um tempo de graça, reflexão e alegria profunda.

Celebrar o Natal nesse modo mais amplo nos lembra que a fé cristã não está subordinada ao calendário comercial, mas vive na liturgia que convida ao encontro com Cristo, agora e sempre.