Misoginia não é opinião, é violência!
DIREITOS DAS MULHERES
Eunice Torres Nascimento
4/7/20262 min read


Tenho refletido com atenção sobre a recente aprovação do projeto de lei que tipifica a misoginia como crime no Brasil. Trata-se de um avanço necessário e urgente. Em um país onde a violência contra a mulher ainda é uma realidade cotidiana, reconhecer legalmente a misoginia como prática criminosa é um passo importante para enfrentar um problema que, por muito tempo, foi naturalizado e até invisibilizado.
A misoginia não se manifesta apenas em agressões físicas. Ela está presente nas palavras, nos gestos, nas ameaças, nas humilhações, na tentativa de silenciar e diminuir a mulher em diferentes espaços da sociedade. Está nas redes sociais, nos ambientes de trabalho, nas relações pessoais e, muitas vezes, dentro de casa. Quando não é enfrentada, ela evolui. E essa evolução é perigosa, pois começa com o desrespeito até chegar à violência física e, em casos extremos, ao feminicídio.
Acompanhando os debates em torno do assunto, vejo alguns tentando argumentar que tipificar a misoginia como crime é limitar a liberdade de expressão, mas entendo que é importante estabelecer limites claros entre opinião e violência. Ninguém tem o direito de atacar, humilhar ou incitar ódio contra mulheres. Isso não é liberdade, é agressão! Por isso, considero fundamental que o Estado assuma uma postura mais firme.
No entanto, também sei que nenhuma lei, por si só, será suficiente. A legislação é um instrumento de proteção e de responsabilização, mas a mudança real precisa acontecer na cultura. Precisamos romper com padrões que ainda ensinam, direta ou indiretamente, que o homem pode exercer controle, poder ou superioridade sobre a mulher. Essa mentalidade precisa ser enfrentada desde a infância, dentro das famílias, nas escolas e nos espaços de convivência.
Nesse processo, os homens têm um papel fundamental, pois é preciso que eles também se posicionem que não silenciem diante de falas ou atitudes misóginas e que assumam a responsabilidade de promover respeito entre seus pares. Combater a misoginia é uma pauta não apenas das mulheres, e sim toda a sociedade.
O Brasil não pode mais tolerar discursos que legitimam a violência. Não pode mais tratar como “normal” aquilo que fere, humilha e coloca em risco a vida de tantas mulheres. A aprovação dessa lei representa um avanço, mas nos impõe o desafio de fazer com que ela seja aplicada com rigor e acompanhada de políticas públicas que fortaleçam a proteção e a autonomia das mulheres.
Para mim, esse é um tema que não admite neutralidade. Ou enfrentamos a misoginia de forma clara e responsável, ou continuaremos convivendo com suas consequências mais graves. E eu acredito que já passou da hora de dizer, com firmeza que respeito às mulheres não é escolha, é princípio.