Envelhecimento da população brasileira exige planejamento e compromisso com a dignidade

ATUALIDADE

Eunice Torres Nascimento

3/6/20262 min read

Tenho refletido com atenção sobre uma transformação profunda que já está acontecendo no Brasil: o envelhecimento acelerado da nossa população. Dados recentes apontam que, entre 2000 e 2023, o número de pessoas com 60 anos ou mais praticamente dobrou, passando de cerca de 15 milhões para aproximadamente 33 milhões de brasileiros. De maneira muito significativa, esse crescimento representa uma mudança estrutural na sociedade e impõe novos desafios ao poder público.

Viver mais é uma conquista civilizatória. É resultado de avanços na saúde, na medicina e nas políticas sociais. No entanto, quando a população envelhece rapidamente, o Estado precisa acompanhar essa transformação com planejamento adequado. Caso contrário, aumentam as pressões sobre o sistema de saúde, a previdência e a assistência social. O Brasil precisa se preparar para garantir que o envelhecimento seja sinônimo de dignidade, autonomia e qualidade de vida.

No Amazonas, essa realidade se apresenta com desafios ainda maiores. Além do crescimento da população idosa, enfrentamos obstáculos geográficos e estruturais que dificultam o acesso a serviços especializados, especialmente no interior. Muitos idosos dependem exclusivamente da aposentadoria ou do Benefício de Prestação Continuada (BPC), e encontram barreiras para acessar consultas, exames e tratamentos. É preciso pensar políticas públicas que considerem as especificidades da nossa região.

Acredito que três frentes precisam ser fortalecidas com urgência. A primeira é a saúde preventiva e especializada. É essencial ampliar a atenção básica, garantir acompanhamento contínuo para doenças crônicas e investir na formação de profissionais em geriatria e gerontologia. A segunda é a proteção social, assegurando que benefícios previdenciários e assistenciais cumpram seu papel de garantir segurança econômica. A terceira é a inclusão ativa do idoso na sociedade, por meio de programas de convivência, incentivo à participação comunitária e oportunidades de formação e trabalho.

Também defendo que o planejamento urbano deve acompanhar essa mudança demográfica. Precisamos de cidades acessíveis, transporte público adaptado, espaços seguros de convivência e moradias adequadas. O envelhecimento populacional exige uma visão integrada que envolva saúde, mobilidade, assistência e infraestrutura.

No âmbito nacional, é indispensável que o orçamento público priorize essa agenda e que as políticas sejam integradas entre União, estados e municípios. No âmbito estadual e municipal, é fundamental fortalecer os Conselhos do Idoso e ampliar os centros de atendimento e convivência, garantindo que as ações não fiquem restritas às capitais.

Envelhecer não pode significar vulnerabilidade ou abandono. Envelhecer deve significar reconhecimento, experiência e respeito. Planejar o Brasil para essa nova realidade demográfica é uma responsabilidade coletiva. Cuidar de quem envelhece hoje é preparar o país que todos nós desejamos para o futuro.