Educação em tempo integral como caminho para reduzir desigualdades no Amazonas

EDUCAÇÃO

Eunice Torres Nascimento

2/5/20262 min read

Sempre acreditei que a educação em tempo integral é uma das estratégias mais eficazes para enfrentar desigualdades históricas no nosso país. No Amazonas, essa política assume um significado ainda mais profundo, quando consideramos as distâncias geográficas, as vulnerabilidades sociais e os desafios estruturais que fazem parte da realidade de tantas crianças e jovens. Refletir sobre a oferta de escolas integrais no estado é, para mim, um exercício necessário de responsabilidade: quem estamos conseguindo alcançar e quem ainda permanece fora dessa oportunidade?

Hoje, a rede estadual de ensino do Amazonas conta com 122 escolas de tempo integral, segundo dados da Secretaria de Estado de Educação. Destas, 61 estão em Manaus e 61 distribuídas pelo interior, atendendo pouco mais de 46 mil estudantes. Reconheço esse número como um avanço importante, mas não posso ignorar que ainda é insuficiente diante do universo de alunos da educação básica no estado, que soma centenas de milhares de matrículas.

Quando observo o cenário educacional de forma mais ampla, o contraste se torna evidente. Dados do Censo Escolar de 2024 indicam que o Amazonas possui cerca de 5.519 escolas de educação básica, considerando as redes estadual, municipal e privada. A maioria dessas unidades funciona em regime regular, com jornada parcial. Em Manaus, por exemplo, a rede municipal ultrapassa 500 escolas, enquanto a rede estadual soma aproximadamente 616 unidades, incluindo as integrais. Isso significa que apenas uma parcela muito pequena dos estudantes tem acesso a uma formação ampliada, em tempo e em possibilidades.

Esse descompasso aparece de forma ainda mais clara quando pensamos no número de crianças e jovens atendidos. O Amazonas tem mais de um milhão de estudantes em idade escolar, somando educação infantil, ensino fundamental e médio. As escolas de tempo integral alcançam menos de 5% desse público. O resultado é preocupante, já que muitos alunos passam grande parte do dia fora da escola, expostos a contextos de vulnerabilidade, enquanto outros não conseguem acessar atividades culturais, esportivas e pedagógicas fundamentais para seu desenvolvimento integral.

Penso que ampliar essa política exige planejamento sério e compromisso contínuo. Para dobrar o número de estudantes atendidos pela educação integral, o estado precisaria chegar a aproximadamente 240 escolas nesse modelo, distribuídas de forma equilibrada entre capital e interior, respeitando as realidades regionais e a densidade populacional de cada município. É um desafio grande, mas absolutamente possível quando a educação é tratada como prioridade.

Acredito que investir em educação integral significa garantir qualidade, permanência e equidade. Significa oferecer alimentação adequada, atividades pedagógicas diversificadas, acompanhamento educacional constante e ambientes seguros de aprendizagem. No Amazonas, fortalecer essa política é apostar em um futuro em que a escola seja um lugar de formação plena, capaz de reduzir desigualdades, ampliar oportunidades e transformar trajetórias de vida.